Instituto Serrapilheira investe em pesquisa inovadora de professora do departamento de botânica UFSC

21/02/2018 10:49

Como incentivar pesquisas em diferentes áreas e ainda mostrar o aspecto inovador de cada uma delas? Essa é a proposta que o recém-criado Instituto Serrapilheira vem mostrando no decorrer de sua primeira chamada pública em 2017. Dentro de 1995 inscritos, 65 foram selecionados, sendo a professora Suzana Alcantara, do Departamento de Botânica, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), um deles.

A chamada pública do Instituto Serrapilheira contemplou pesquisadores de áreas científicas tecnológicas e inovadoras de todo o Brasil. A professora e pesquisadora Suzana Alcantara foi selecionada por sua pesquisa inovadora, pois seu tema investiga uma questão atual para solucionar problemas do futuro.

Dentro dessa perspectiva, a pesquisadora conseguiu sua vaga através da pesquisa “A Darwinian dream inside a taxonomic nightmare: exploring past evolutionary radiations to prospect for climatic-change adaptable genes in the Brazilian Velloziaceae”. Sua pesquisa tem o objetivo de entender como plantas que existem em regiões com grande stress ambiental sobrevivem.

O estudo que começou a ser desenvolvido no pós-doutorado aborda plantas que crescem na região central do Brasil, em áreas de solo rochoso, sujeitas a grandes variações de temperatura e precipitações sazonais. De acordo com a professora Suzana, “Esses locais funcionam como um laboratório evolutivo e as condições são tão extremas que as plantas tiveram que se adaptar a esse ambiente de alguma maneira”.

Diferente da área tecnológica, Suzana traz uma ideia inovadora que poderá mudar a maneira como cientistas de áreas aplicadas desenvolvem seu trabalho na área ambiental. Conforme a professora, o seu papel “dentro da ciência é entender como ocorrem os processos, assim servir de base para futuras pesquisas na botânica evolutiva ou aplicada”.

A pesquisadora Suzana Alcantara procurou por outros incentivos públicos estaduais e federais ao ingressar na UFSC, porém encontrou dificuldades. “Na minha área, em biodiversidade, não encontrei nenhum incentivo, devido ao momento crítico de corte de verbas federais. Porém o Estado investe muito em ciência, mas a maioria em áreas de tecnologia e ciência aplicada”.

Suzana afirma que culturalmente existe a crença de que a ciência deve ter um viés mais aplicado. A professora ressalta que “A importância de se investir em ciência de base é avançar na produção do conhecimento e permitir que ideias e soluções sejam concebidas desde o início, ao invés de importar esse conhecimento.”

Em contrapartida à situação atual dos investimentos em pesquisas públicas no país, Suzana viu no Instituto Serrapilheira uma oportunidade de dar vazão a sua pesquisa. Para ela, “Existe a participação de investimentos privados no Brasil, mas poucas são voltadas para a pesquisa de base, especialmente para questões evolutivas.” Essa foi uma das chances que Suzana viu para financiar o seu grupo de pesquisa dentro da Universidade. A pesquisadora ainda conta que ser selecionada para esse projeto foi uma grande conquista para sua carreira como pesquisadora.

Linda Inês P Lima
Comunicação Propesq UFSC

 

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