Laboratório de Virologia Aplicada da UFSC é resultado de anos de investimento em educação

28/02/2018 14:32

foto: Pipo Quint – Agecom – UFSC

A partir de um programa internacional de suporte à maricultura, a professora Célia Regina Monte Barardi, uma das coordenadoras do Laboratório de Virologia Aplicada (LVA) da UFSC, iniciou um dos laboratórios mais duradouros da universidade. Desenvolvendo projetos interdisciplinares entre os centros de Ciências Biológicas e Ciências da Saúde, o laboratório também é coordenado pela professora Cláudia Maria Oliveira Simões. Juntas trabalham para que as pesquisas desenvolvidas dentro do LVA continuem sendo referência no Brasil.

O início do laboratório, que começou com pesquisas para compreender como purificar a água para produção de mariscos, cresceu e alcançou outro patamar. Célia conta que, apesar dos cortes na educação, o laboratório irá promover o IV Simpósio Latino-Americano de Virologia Ambiental, na UFSC, em março de 2018. “Depois de um tempo, surgiu a ideia de juntar todos os virologistas ambientais da América Latina para discutir e debater sobre o tema, sendo que o primeiro simpósio ocorreu no Rio de Janeiro, em 2010.” Afirma Célia que, após esse encontro, foi combinado que o evento aconteceria a cada três anos em alguma instituição de ensino da América Latina.

A partir do terceiro simpósio, que aconteceu na Universidade de Salta, Argentina, Célia decidiu aceitar a iniciativa de ampliar o foco do simpósio. Inicialmente, eram debatidas pesquisas que discutiam a presença de vírus nas águas, causadores de inflamações intestinais e hepatites. Porém doenças como dengue, zika, febre amarela e chikungunya também passaram a ser foco das discussões, por serem veiculadas por vírus cujos mosquitos dependem da água para se proliferar. A professora afirma que surtos de doenças como as citadas acima, acontecem por causa de desequilíbrios ambientais.

Célia conta que dentro do laboratório são realizadas pesquisas em torno do tema de desinfecção das águas, tanto para a produção de mariscos como para consumo humano e animal. “É comum as pessoas acreditarem que o tratamento com cloro é eficaz, porém as propriedades do cloro são facilmente perdidas no caminho que a água faz para chegar até o consumidor podendo se recontaminar durante o percurso.”

Dentre as pesquisas de desinfecção de águas coordenadas pela professora Célia encontra-se  a de tratamento da água para produção de mariscos. “As ostras, por exemplo, elas têm que ser depuradas, ou seja, serem colocadas dentro de um tanque com água do mar limpa para que possam filtrar essa água do mar e se purificar.” Outros processos foram elaborados dentro do laboratório, como o de desinfecção da água através da luz ultravioleta.

Investimento em Educação

Segundo a professora Célia Regina, o laboratório, que começou em 1993 e que teve um grande impulso em 1997, a partir de uma iniciativa do governo do Canadá, não teria se consolidado se não fossem investimentos públicos, como bolsas e projetos apoiados principalmente pelo CNPq e CAPES. O LVA possibilitou o desenvolvimento de pesquisas por pós-doutorado, doutorados, mestrados e graduação da UFSC. “Nesses vinte anos passamos por crises, mas também por bons momentos na pesquisa científica brasileira que fez com que o Brasil ficasse acima de muitos países, sendo até referência em alguns casos.” – afirma a professora. Ela também aponta que os cortes na educação de 2016 constituíram um retrocesso para a pesquisa científica brasileira.

A professora Célia, que está há 28 anos na UFSC, relata que, além da área de virologia ambiental, também são desenvolvidas pesquisas voltadas para a saúde. “Desde 1993, divido o laboratório com a professora Cláudia Simões, então as pesquisas desenvolvidas aqui dentro se tornaram grandes e importantes devido também a essa parceria.” Afirma que parcerias com a Embrapa e também outras associações fizeram com que o LVA fosse um dos pioneiros no Brasil nas pesquisas voltadas para a virologia ambiental, e que serviu de incentivo para a criação de outros grupos de pesquisa em virologia ambiental em outras regiões do país.

 

Linda Inês Pereira Lima
Comunicação Propesq UFSC

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