Por outro ângulo

14/11/2018 14:27

Segundo o dicionário Michaelis, senso comum é o “conjunto de ideias, opiniões e pontos de vista de um grande número de pessoas em um determinado contexto social que se estabelecem e impõem como naturais e necessárias, não admitindo grandes questionamentos nem reflexões[…]”. Esse pensamento acrítico, assim como a falta de esclarecimento de algumas informações, muitas vezes, é a causa da formação de diversos preconceitos existentes na sociedade.

Na Universidade Federal de Santa Catarina, registrados pela Pró-Reitoria de Pesquisa, existem por volta de 860 projetos de pesquisa em andamento no ano de 2018. Entretanto, quando esse panorama é observado através de outro ângulo, é possível reparar que os servidores técnico-administrativos da própria Universidade não ocupam muitos dos cargos de coordenação desses projetos.

Sharbel Weidner Maluf

Biólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Sharbel Weidner Maluf é servidor técnico-administrativo do Hospital Universitário (HU) da UFSC. Líder de Grupo de Pesquisa do CNPq desde 2003, atualmente Sharbel coordena um projeto que busca internalizar alguns exames específicos no Laboratório de Genética do HU, tendo em vista que muitos deles eram realizados através de serviços terceirizados.

Atuando também como orientador do Programa de Pós Graduação em Farmácia, Sharbel diz que a colaboração com outros pesquisadores da UFSC e de outras instituições nacionais e internacionais é importante, pois a união de forças viabiliza trabalhos de pesquisa que relacionam diferentes resultados na busca de novos conhecimentos e soluções para o diagnóstico, prognóstico e tratamento de doenças.

O grupo o qual coordena conta com a participação de alunos de graduação, mestrado, doutorado e professores em colaboração. Sharbel explica que o trabalho realizado nesse grupo de pesquisa é multidisciplinar. “Nossas pesquisas abrangem biomarcadores inflamatórios, de estresse oxidativo, dano de DNA e de expressão gênica, relacionados a doenças diagnosticadas no HU UFSC”.*

Não muito distante, no Centro Tecnológico, Dante Luiz Juliatto contou sua trajetória até tornar-se um pesquisador de excelência. Funcionário da UFSC desde 1983, Dante não iniciou sua carreira como pesquisador imediatamente. Formou-se em engenharia de produção após ingressar na universidade como servidor e atingiu todos os níveis de ensino com o intuito de colaborar com as produções universitárias.

Dante Luiz Juliatto

Em seu relato, conta também que é preciso ser persistente para conseguir coordenar um projeto por diversos motivos. “Essa é uma característica que eu estou salientando porque desmotiva muitos colegas a coordenar projeto.”. Além disso, salienta que sofreu preconceito de professores ao iniciar sua carreira. “E realmente a pessoa é muitas vezes discriminada pelo servidor docente. A vantagem que eu tenho é formação […] e nunca me deixei levar por isso”.

 

*Os biomarcadores inflamatórios, o estresse oxidativo, o dano de DNA e de expressão gênica são referentes a variações dos valores normais desde as quebras de DNA até a concentração de algum composto químico da célula que podem ocorrer em função das doenças diagnosticadas.

 

 

Leticia Silva 

Divulgação Propesq 

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