Quem ajuda quem: humanização da atenção hospitalar

08/10/2018 12:30

Em 2013, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, da Universidade Federal de Santa Catarina, um projeto com a finalidade de analisar a aceitação dos alimentos e refeições oferecidas aos pacientes em tratamento de câncer na Clínica 2 do Hospital Universitário (HU).

Atuando como voluntária do Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde (RIMS) do HU, a professora Francilene Vieira percebeu, naquela proposta, uma maneira de complementar a sua atuação como professora adjunta do Departamento de Nutrição, com a pesquisa.

Naquele projeto, Francilene trabalhou em conjunto com a professora Raquel de Salles, que já atuava como tutora do RIMS. Através dos resultados encontrados naquele estudo e de outros já publicados, foi possível perceber que os principais alimentos recusados pelos pacientes são aqueles vindos de refeições maiores, salgados e quentes, sendo os mais aceitos, sobremesas geladas, como o sorvete. A partir disso, passou a existir a possibilidade de usar o produto sorvete, como sobremesa, por suas capacidades analgésicas, capazes de diminuir efeitos colaterais da quimioterapia.

Em São Paulo, a possibilidade da crioterapia, que consiste no uso do gelo durante a infusão do medicamento quimioterápico, já acontece em hospitais especializados. Com essa motivação, as professoras – junto com outras duas professoras do Departamento de Nutrição Ana Paula Geraldo e Yara Moreno, com as nutricionistas Akemi Arenas Kami e Telma Búrigo e duas alunas residentes Aline Valmorbida e Paloma Mannes – iniciariam a nova pesquisa de desenvolvimento e aceitação de sorvetes para pacientes em quimioterapia.

Durante seis meses, o grupo, em conjunto com uma empresa fabricante de sorvetes em Florianópolis, que resolveu abraçar a causa para o desenvolvimento, discutiu e analisou os ingredientes, como fonte de gordura e proteína e de sabores mais agradáveis aos pacientes. Entre os requisitos para a criação, estava criar um produto com valor nutricional agregado, para que a vantagem não ficasse apenas em funcionar como analgésico da mucosa bucal, mas retribuísse proteínas e outros elementos importantes no corpo humano.

Para Francilene, esse processo se resume à popularização da ciência e à humanização da atenção hospitalar. Além disso, a professora aponta que a maior recompensa desse trabalho, é a retribuição dos pacientes. “É algo que tu coloca pra pessoa, e você vê a satisfação do paciente e ele te agradece porque tu te preocupou com ele”.

Em pouco tempo, esse sorvete estará disponível também para consumo do público, vendido em farmácias e lojas com artigos naturais.

 

Leticia Silva 

Divulgação Propesq

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