Com ciência negra – Física de referência

11/12/2018 09:18

No filme “Estrelas além do tempo”, a atriz Taraji P. Henson interpreta Katherine G. Johnson. Katherine foi um nome importantíssimo para a exploração espacial norte-americana na década de 1960 durante o período da Guerra Fria. Matemática, cientista espacial e física, Katherine revolucionou os ramos da física no mundo por dois atributos importantes: era mulher e negra.

Durante toda a experiência escolar, conhecemos Isaac Newton, Albert Einsten e James Clerk Maxwell, grandes nomes da história da física que contribuíram de forma imprescindível para a pesquisa científica. Além dos estudos, todos esses nomes (e grande maioria das referências na área) têm em comum o fato de pertencerem à raça branca.

Há muitos anos, o racismo se manifesta de maneira enraizada na estrutura da sociedade, fazendo com que não tenhamos acesso direto a nomes como o de Katherine, ou até aos mais próximos de nossa convivência acadêmica, como o de Alexandre Magno Silva Santos.

Vindo de família pobre da capital do Espírito Santo, Vitória, Alexandre viveu uma infância e juventude muito difíceis. Sua família materna, de descendência direta de povos africanos (e também escravizados) foi a base da conquista de toda sua trajetória, apesar das dificuldades. Alexandre considera que sua entrada na escola técnica após o ensino médio foi uma de suas primeiras conquistas. “Aliás, na verdade, sobreviver foi minha primeira conquista. Mas a nível acadêmico, isso foi uma conquista grande porque meus colegas todos eram de classe média pra cima”.

Enfrentando problemas com a fome desde muito cedo, Alexandre recebia socorro de um tio. Porém devido ao fato do tio possuir um problema de saúde envolvendo o olfato, muitas vezes o entregava comidas estragadas. “E a gente já estava muitas vezes à prova. Entregues já. Uma vez nós chegamos ao consenso de que não teria mais como, a gente iria morrer. Eu lembro de deitar numa cama e desmaiar de fome, esperando a morte chegar”.
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Com ciência negra – Jornalismo negro

05/12/2018 15:08

Trabalhar na televisão, nas redações de jornais, revistas ou através da ferramenta do século XXI, a internet, pode ser algumas das possibilidades de quem se forma em jornalismo. Existe ainda, a chance de estar nas rádios ou seguir carreira acadêmica, que é parte essencial da formação do profissional que resolve se graduar mesmo sabendo que o diploma não é mais obrigatório para exercer o trabalho.

A comunicação, assim como a educação e a saúde, é alicerce fundamental para a vida do ser humano e é inegável o papel do jornalismo para a sociedade mesmo enfrentando crises de funcionamento. As fake news, por exemplo, têm sido um dos argumentos mais utilizados para tentar descredibilizar sua função social, de informar aos cidadãos fatos do cotidiano.

No Brasil, todos os anos, mais de sete mil jornalistas são formados. Mas assim como na grande maioria dos cursos superiores, nem metade dessas pessoas faz parte da população negra do país. Na UFSC, esse cenário é facilmente percebido e extremamente contrastante. Até 2017, por exemplo, não havia professores ou professoras negras no curso de Jornalismo até Leslie Sedrez Chaves ocupar esse lugar.
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Com ciência negra

27/11/2018 10:32

A chegada de pessoas provindas do continente africano no Brasil, assim como em muitos outros países, não se deu de forma digna. Trazidas em grandes embarcações, essas pessoas não tinham direito às necessidades básicas para sobreviver, por isso milhares delas não conseguiam chegar vivas ao país recém-explorado pela colonização europeia.

Assim como os povos indígenas que já habitavam as regiões, os homens e as mulheres escravizados eram considerados produtos com a única intenção de satisfazer as vontades de seus senhorios. A abolição da escravatura, porém, não trouxe a liberdade total para esse povo. Sem as mesmas oportunidades, a comunidade negra se viu obrigada a submeter-se a um estilo de vida precário, evidenciando a desigualdade racial.

Segundo o IBGE, 46,7% de toda a população do Brasil se considera parda e 8,2% preta. O aumento de mais de 6% em relação à pesquisa realizada no ano de 2012, enfatiza o cenário onde mais da metade dos cidadãos brasileiros estão separados por um contraste estruturado na sociedade.
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Por outro ângulo

14/11/2018 14:27

Segundo o dicionário Michaelis, senso comum é o “conjunto de ideias, opiniões e pontos de vista de um grande número de pessoas em um determinado contexto social que se estabelecem e impõem como naturais e necessárias, não admitindo grandes questionamentos nem reflexões[…]”. Esse pensamento acrítico, assim como a falta de esclarecimento de algumas informações, muitas vezes, é a causa da formação de diversos preconceitos existentes na sociedade.

Na Universidade Federal de Santa Catarina, registrados pela Pró-Reitoria de Pesquisa, existem por volta de 860 projetos de pesquisa em andamento no ano de 2018. Entretanto, quando esse panorama é observado através de outro ângulo, é possível reparar que os servidores técnico-administrativos da própria Universidade não ocupam muitos dos cargos de coordenação desses projetos.

Sharbel Weidner Maluf

Biólogo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Sharbel Weidner Maluf é servidor técnico-administrativo do Hospital Universitário (HU) da UFSC. Líder de Grupo de Pesquisa do CNPq desde 2003, atualmente Sharbel coordena um projeto que busca internalizar alguns exames específicos no Laboratório de Genética do HU, tendo em vista que muitos deles eram realizados através de serviços terceirizados.
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Ciências da terra e da vida – Paciência, persistência e lucidez

31/10/2018 15:56

Fundado em 2014, o Instituto Serrapilheira é uma organização privada, sem fins lucrativos, que busca incentivar através de chamadas públicas projetos de pesquisa que atuem nas áreas de ciências naturais, ciência da computação e matemática. Funcionando oficialmente desde 2017, em sua primeira chamada pública, o Serrapilheira selecionou mais de 65 projetos espalhados em todas as regiões do país.

Na Universidade Federal de Santa Catarina, duas pesquisadoras foram contempladas pela seleção (clique aqui para saber mais sobre o outro projeto selecionado). Intitulado “VulnerAmazon: A new look at Amazonian forest vulnerability and resilience”, o projeto coordenado pela professora Marina Hirota, do Departamento de Física, busca identificar, dentro da Floresta Amazônica, locais que sejam mais ou menos vulneráveis a perturbações, principalmente àquelas relacionadas ao regime de chuvas regional e às atividades antrópicas de maneira mais local e heterogênea.

Segundo previsões do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas, eventos extremos relacionados à quantidade de chuva, como por exemplo episódios de seca extrema, tendem ser mais frequentes e mais intensos no futuro. A abordagem do grupo busca observar as vulnerabilidades de grande escala (chuva) e quais consequentes efeitos de escala local, isto é, desde uma espécie de árvore até uma comunidade com um conjunto de espécies. Assim, o intuito é observar como os vários tipos de florestas diferentes existentes na Floresta Amazônica respondem à falta de água e analisar o papel dessa heterogeneidade da floresta na resposta combinada de diversas comunidades diferentes de plantas.
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Acesso Aberto: o futuro da publicação científica

23/10/2018 10:05

A Scientific Electronic Library Online – SciELO – é a maior base de dados e publisher da América Latina e funciona, também, como uma biblioteca eletrônica que reúne 1285  periódicos e 745.182 artigos produzidos em 14 países. A cada 5 anos, a Rede SciELO  realiza um evento internacional, com o intuito não apenas de comemorar seu aniversário, mas também para discutir e planejar suas ações para os próximos 5 anos.

Em 2018, foram comemorados 20 anos de existência da SciELO e, do dia 25 ao dia 28 de setembro, aconteceu a Conferência SciELO 20 anos. O evento internacional reuniu nomes importantes, de todo o mundo, na área de publicação científica.

Coordenando a mesa “Acesso Aberto – rotas rumo à universalização: vias douradas, verdes híbridas, outras”, a professora Rosângela Schwarz Rodrigues, da UFSC, esteve presente. Na discussão, estavam os painelistas Éric Archambault da Science Metrix, Jason Priem da Impactstory, Louise Page da Chief Innovation Officer da PLos One e Cassidy Sugimoto, presidente da International Society for Scientometrics and Informetrics.

Rosângela é professora do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação desde 2005 e é formada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Suas produções se concentram nos temas de Acesso Aberto e Publicação Científica.
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Quem ajuda quem: humanização da atenção hospitalar

08/10/2018 12:30

Em 2013, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, da Universidade Federal de Santa Catarina, um projeto com a finalidade de analisar a aceitação dos alimentos e refeições oferecidas aos pacientes em tratamento de câncer na Clínica 2 do Hospital Universitário (HU).

Atuando como voluntária do Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde (RIMS) do HU, a professora Francilene Vieira percebeu, naquela proposta, uma maneira de complementar a sua atuação como professora adjunta do Departamento de Nutrição, com a pesquisa.
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Formando cientistas sociais, ocorrerá o I Seminário de Sociologia e Política na UFSC

28/08/2018 09:36

Com a implantação do Curso de Especialização em Ciências Sociais, em 1976, foi criado também o Programa de Pós Graduação em Sociologia Política na UFSC, com foco nas áreas de sociologia e antropologia. Durante 9 anos de existência, o Programa oferecia as áreas de mestrado conjuntas. Foi depois de uma reestruturação, em 1985, que foram desvinculadas, tornando-se Programas próprios.

Desde então, só neste ano, a partir de uma iniciativa do corpo discente do PPGSP, ocorrerá, em setembro, o I Seminário de Sociologia e Política na UFSC. O evento tem como principal objetivo abrir espaço para as discussões acerca dos trabalhos produzidos por estudantes de pós-graduação de diversas regiões do país.

Foram recebidos 186 trabalhos para apresentação, e 127 deles aprovados pela comissão avaliadora, formada pelo corpo docente do Programa. Essas propostas partiram de pós-graduandas(os) e egressos do PPGSP, assim como de outros Programas de Pós Graduação do país. Elas estão separadas em 7 GT’s temáticos que serão expostos nos dias 20 e 21 de setembro. Durante esses dias, são esperadas mais de 200 pessoas entre palestrantes e público geral. Além disso, há grande expectativa para assistir ao encerramento com o professor Rogério Arantes, cientista político da USP e nome de referência de atuação na área.
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UFSC sedia Congresso Internacional de Linguística

08/08/2018 14:56

Em sua terceira edição, ocorreu na Universidade Federal de Santa Catarina o 3º Encontro Internacional de Sintaxe, Semântica e Interfaces (EISSI). Contando com a presença de dois palestrantes entre os dias 25 a 29 de junho, o evento teve como principal objetivo discutir as pesquisas na sintaxe e semânticas das línguas naturais.

Com três dias para apresentações que contemplaram língua de sinais, línguas indígenas brasileiras, crioulos, português brasileiro, inglês, entre outras questões, ocorreram também dois minicursos. O primeiro deles, sobre semântica, foi ministrado pela professora Angelika Kratzer, precursora na área de estudo sobre modais e sentenças condicionais. O segundo minicurso foi ministrado pelo professor Luigi Rizzi, um nome importante sobre conhecimento da sintaxe e precursor da Cartografia (trabalho para elaboração de cartas geográficas).

Segundo a professora Roberta Pires de Oliveira, esse evento foi uma alternativa encontrada para tratar, de maneira teórica, explicações sobre as línguas naturais, partindo de um ângulo mais científico baseando-se no aparato lógico-formal e experimentos externos.
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Congresso Internacional de Antropologia ocorrerá pela primeira vez no Brasil e em Santa Catarina

13/07/2018 08:37

Em sua carreira, o já falecido professor Silvio Coelho dos Santos, incentivou a participação da comunidade acadêmica nos congressos internacionais de antropologia. Com atuação também como Pró-Reitor de Pesquisa e Graduação, o professor foi precursor na área em Santa Catarina e será um dos nomes homenageados durante o curso do 18º Congresso Internacional de Antropologia. Além disso, foi de grande influência para uma internacionalização da antropologia da Universidade.

Há 5 anos, o Brasil, sobretudo a Universidade Federal de Santa Catarina, foi candidata e eleita para sediar o 18º IUAES. O Congresso ocorrerá entre os dias 15 e 21 de julho buscando criar uma rede de relações internacionais para a ampliação do conhecimento na área. 

A programação do evento contém conferências, simpósios, plenárias, painéis abertos e fechados, workshops, apresentação de filme, fotografia, mostras artísticas e atividades da Rede Global das Antropólogas Feministas para dialogar sobre o que significa ser mulher cientista atualmente.

Este grupo, que já se reuniu outras vezes na América Latina, chega, sobretudo com o intuito de incluir na discussão, nomes de mulheres importantes para a história da antropologia no mundo. A programação especial feita para o encontro, assinala algumas atividades divididas desde o primeiro até o último dia, como atividades de cunho feminista e tem a quarta-feira, como dia centralizado para o circuito feminista, e que qualquer pessoa que estiver presente poderá participar.
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