
No início da semana que vem comemoramos o dia da mulher e a Pró-reitoria de Pesquisa traz uma publicação especial sobre 11 invenções e descobertas feitas por cientistas mulheres. Também aproveitamos o contexto para convidar você a ler nosso texto sobre a cientista Bertha Lutz e agradecer todas as pesquisadoras da UFSC por contribuírem com a ciência brasileira. As invenções são:
Teste de urina
A química Helen Free, aos 93 anos, desenvolveu as famosas fitinhas usadas no mundo todo para monitorar diabetes e detectar gravidez. A mágica acontece quando algumas pequenas tiras da fita entram em contato com a urina e provocam uma reação, literalmente, visibilizando os resultados. Ela lançou a tecnologia no mercado com o nome de Clinistix e sua descoberta contribui para avanços futuros em testes do gênero.
Fralda descartável
Marion Donovan, arquiteta, desenvolveu uma cobertura impermeável para fraldas que foi recusada por fabricantes no primeiro momento. Assim, ela começou a comercializar as capas por conta própria e vendeu a patente por 1 milhão de dólares posteriormente. Quando Donovan faleceu, o New York Times escreveu em seu obituário: “Tinha 81 anos e havia ajudado a encabeçar uma revolução industrial e doméstica ao inventar o precursor da fralda descartável.” O Salão da Fama de Inventores dos Estados Unidos escreveu: “Motivada pela tarefa frustrante e repetitiva de trocar as fraldas de pano sujas, a roupa e os lençóis de seu filho, Donovan criou uma capa para a fralda que permitia manter seu bebê seco. Diferentemente de outros produtos no mercado, o seu foi feito com uma tela que permitia que a pele do bebê respirasse e também incluía botões em vez de alfinetes”.
Sinalizadores marítimos
Por 10 anos Martha Coston desenvolveu um sistema de luzes pirotécnicas vermelhas. Ela patenteou a tecnologia e vendeu-a para a Marinha dos EUA. Segundo o Salão da Fama de Inventores dos Estados Unidos, “O sistema deu uma vantagem decisiva à União na Guerra Civil e a empresa Coston, fundada para produzir os sinalizadores, operou até o fim do século 20. O sistema de códigos e sinalização foi usado pelo serviço de emergência e o serviço meteorológico dos Estados Unidos, instituições militares na Inglaterra, França, Holanda, Itália, Áustria, Dinamarca e Brasil, navios mercantes e iates privados”.
Limpador de Para-brisa
Ao viajar em um bonde por Nova Iorque, em um dia de neve no início do século XX, Mary Anderson teve a ideia de criar o limpador de para-brisa. O Salão atesta que “Anderson observou que os condutores tinham que abrir frequentemente suas janelas para poder enxergar em meio ao clima impiedoso. Muitas vezes, eles tinham de parar o bonde e descer do carro para limpar a janela. Sua ideia consistia em uma alavanca dentro do veículo que controlava um braço mecânico equipado com uma escova de borracha. A alavanca movia a escova pelo para-brisa para eliminar a chuva ou a neve.”
Kevlar
Stephanie Kwolek era a única mulher em seu laboratório e durante seu trabalho como cientista descobriu o Kevlar, uma superfibra cinco vezes mais forte por módulo que o aço. A aplicação do material vai de coletes à prova de balas a luvas de operários. “Sabia que tinha feito uma descoberta. Não ‘eureka’, mas fiquei muito emocionada, assim como todos no laboratório, por estarmos diante de algo novo e diferente”, disse Stephanie.
Medicamento contra leucemia
As pesquisas de Gertrude B. Ellion foram responsáveis pela criação da 6-mercaptopurina, fármaco utilizado contra a leucemia. Além disso, Ellion também foi responsável pelo desenvolvimento da 6-tioguanina e de inovações farmacêuticas que tornaram o transplante de rim mais fácil.
Método para melhorar negativos fotográficos
Barbara S. Askins inventou um processo para recuperar os detalhes de negativos que foram subexpostos. Ela patenteou a invenção no mesmo ano, possibilitando melhorar fotografias com materiais radioativos. Ademais, Askins também foi contratada pela NASA para pesquisar formas melhores de revelar fotos astronômicas e geológicas. No site, a NASA afirma que seu invento foi “tão bem sucedido que seu uso se expandiu para além da agência espacial e foi aproveitado na obtenção de melhorias em raios-X e na restauração de fotos antigas”.
Calculadora gráfica
A primeira engenheira elétrica a ser empregada nos EUA e a primeira professora em tempo integral da área no país são a mesma pessoa: Edith Clarke. Ela foi autoridade na manipulação de funções hiperbólicas, circuitos equivalentes, análise gráfica e sistemas elétricos. No ensaio “Do Computador à Engenharia Elétrica: a Extraordinária Carreira de Edith Clarke”, James E. Brittain afirma: “Sua carreira teve com tema central o desenvolvimento e a disseminação de métodos matemáticos que simplificaram e reduziram o tempo empregado em cálculos complicados para resolver problemas de design e operação de sistemas de energia elétrica”.
Vidro sem reflexo
Desta vez, uma dupla: Katharine Blodgett e Irving Langmuir experimentaram películas orgânicas com uma só molécula de espessura e descobriram algumas aplicações práticas. A invenção é conhecida como filme Langmuir-Blodgett, uma pilha de capas múltiplas de qualquer espessura produzida após repetir o processo descoberto. Vale ressaltar que Blodgett foi a primeira mulher a obter doutorado em física em Cambridge.
Peneiras moleculares para refino de petróleo
Ao trabalhar com tecnologia emergente de peneiras moleculares, Edith Flanigen descobriu formas mais eficientes e limpas de refinar petróleo. Sua invenção foi categórica para a produção de gasolina no mundo todo e com isso ela foi condecorada com o prêmio Lemelson do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets, na sigla em inglês). Flaningen possui 108 patentes e suas pesquisas também tiveram influência nos processos de purificação de água e no saneamento ambiental.
Máquina para fazer sacolas de papel
Sabe aqueles sacos de papel de fundo plano? Pois bem, eles são fruto da invenção de Margaret Knight, que automatizou o processo de fabricação dos mesmos e sintetizou o trabalho de 30 pessoas. A máquina em questão corta, dobra e une as duas partes do papel para criar a sacola, fazendo com que o custo de produção seja expressivamente menor. Apesar de Knight ter nascido em 1838, ainda no final do século passado uma variação de sua máquina era usada.
Eduardo Vargas – Bolsista de Jornalismo da Pró-reitoria de Pesquisa – UFSC